Poucos segundos

Num plano distante vejo o mundo la fora e tudo pelo que me mantenho em luta,  em guarda.  Vejo os relacionamentos com o mundo exterior.  Todo bem e todo mal na busca da realização.  Neste plano o relógio se movimenta tão rápido que sempre faltam algumas voltas para completar o meu dia.

Num plano distante vejo o mundo la fora e tudo pelo que me mantenho em luta, 
em guarda. 
Vejo os relacionamentos com o mundo exterior. 
Todo bem e todo mal na busca da realização. 
Neste plano o relógio se movimenta tão rápido que sempre faltam algumas voltas para completar o meu dia. 
O mundo lá fora e cruel, 
me atropelaria facilmente, 
trituraria meu coração por nada. 
E neste cenário, 
eu sou reprodução do ambiente. 
Correndo, 
correndo... 
Num plano intermediário, 
observo as minhas ligações afetivas, 
tão vulneráveis quanto uma bolha de sabão. 
Na maioria das vezes vejo claramente que só restarão os elos escritos pelo código genético. 
Só a convivência obrigatória, 
esfacelada pelo tempo, 
pela vontade de fugir. 
Mas não há possibilidade de fuga, 
estou tão presa aqui quanto no primeiro plano, 
e tudo necessário, 
seguir adiante e necessário, 
esquecer de si mesmo e necessário, 
aprender a ultrapassar o próprio sentimento primordial. 
Num plano mais próximo, 
aqui onde estou de pé, 
presa atrás de um a vidraça , 
assisto de dentro de mim, 
o que me tornei, 
seguindo os moldes da necessidade, 
tudo la fora e furacão, 
intensidade, 
velocidade. 
Mas vejo tudo em câmera lenta, 
não sei o que busco em meio aos destroços la fora. 
Talvez só olhar pra você e sentir que vale a pena só por um instante. 
E quando estes três planos da minha realidade forem sobrepostos , 
um filme de poucos segundos vai mostrar você passando por mim sem me notar, 
sem me enxergar, sem me tocar, 
e deixar um imenso vazio onde você nunca esteve! 

(CleaRF.